
As texturas respiráveis e os pigmentos expressivos redesenham a temporada. A maquiagem híbrida, enriquecida com ativos de cuidado, se impõe como o fio condutor das coleções recentes, e as fórmulas “segunda pele” substituem as bases de maquiagem cobritivas na maioria dos lançamentos. Observamos uma mudança clara: a cor retorna com força após várias temporadas dominadas pelo minimalismo “clean girl”, mas chega em texturas moduláveis, pensadas para serem usadas do escritório ao jantar.
Texturas híbridas de cuidado-maquiagem: o que muda com a “skincare-ização” das bases
A base de maquiagem clássica perde espaço para as bases com cor formuladas com ativos (niacinamida, ácido hialurônico, filtros solares). Essa mudança altera a lógica de compra: não escolhemos mais uma base pela sua cobertura, mas pela sua performance na pele e seu resultado ao final do dia.
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Na prática, uma base híbrida bem escolhida se mantém melhor em pele mista em clima quente do que uma base tradicional fixada com pó. A razão é técnica: as texturas respiráveis limitam o efeito de micro-oclusão que provoca brilhos e desidratação na superfície.
Recomendamos testar a durabilidade por meio dia antes de investir. Um produto que oxida após quatro horas não é um produto híbrido bem formulado, independentemente de sua lista de ativos. Para acompanhar as tendências de maquiagem do momento sem sacrificar a durabilidade, a qualidade da base continua sendo a prioridade.
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Smoky marrom e pigmentos expressivos: adaptar a intensidade ao contexto
O smoky marrom, observado nos desfiles de Isabel Marant, Nina Ricci ou Balmain, se estabelece como a alternativa realista ao smoky preto. Mais suave, ele se adapta a todos os tons de pele e pode ser usado durante o dia sem endurecer o olhar.

A técnica básica permanece simples: um lápis cremoso aplicado na pálpebra móvel, esfumado com um pincel em poucos segundos. A escolha da temperatura (marrom quente ou frio) muda tudo. Um marrom quente puxa para o caramelo e aquece um tom de pele claro. Um marrom frio, mais taupe, estrutura o olhar sem adicionar calor.
O erro frequente é sobrepor muita matéria para “fazer tendência”. Durante o dia, uma única camada de lápis esfumado é suficiente. À noite, pode-se intensificar com uma sombra em pó por cima sem precisar recomeçar a maquiagem do zero. Esse princípio de construção em camadas sucessivas é o verdadeiro alavancador para passar do escritório ao restaurante sem cair no excesso.
Pigmentos neon e metalizados: os limites do usável
Os vermelhos vibrantes, neon e acabamentos metalizados retornam nas coleções. Sua tradução no dia a dia requer uma certa cautela. Um delineador neon na linha d’água inferior, usado sozinho sobre uma pele nua, funciona durante o dia. O mesmo neon aplicado em toda a pálpebra se torna excessivo.
- Durante o dia, limitar o pigmento intenso a uma única área (lábios, delineador, canto interno do olho) e manter o restante neutro
- À noite, sobrepor um acabamento metalizado sobre uma base mate já aplicada, em vez de reconstruir tudo
- Evitar combinar neon e brilhante na mesma área: a mistura anula a legibilidade dos dois efeitos
Maquiagem arquitetônica e “precision shaping”: a técnica que substitui o contorno pesado
O contorno espesso dos anos anteriores dá lugar a um trabalho mais anatômico. O “precision shaping” consiste em adaptar a colocação das sombras e luzes à estrutura óssea individual, em vez de reproduzir um esquema universal copiado de um tutorial.
O draping substitui o blush aplicado em círculo na maçã do rosto. Aplica-se a cor em diagonal, do fundo da bochecha em direção à têmpora, o que afina e estrutura sem a pesadez de um contorno marrom. Os blushes iridescentes “dois-em-um” (cor mais luz) simplificam o gesto e são adequados para peles que desejam um acabamento natural em uma única etapa.

A abordagem arquitetônica também funciona nos lábios. O lápis labial volta ao primeiro plano, não para contornar um contorno artificial, mas para redefinir a forma natural antes de aplicar a cor. Pat McGrath recentemente destacou essa lógica de “precision lip” em suas últimas coleções para Louis Vuitton.
Tendências de maquiagem dia-noite: construir um look que evolui sem precisar refazer tudo
A maioria dos artigos apresenta as tendências como looks finalizados. Na prática, a maioria das mulheres se maquiam pela manhã e não tem tempo nem vontade de refazer tudo antes de sair à noite. O verdadeiro desafio é fazer uma maquiagem de dia que aceite adições à noite.
O princípio baseia-se em três escolhas feitas logo pela manhã:
- Uma base híbrida leve que não satura a pele e deixa espaço para adicionar um corretivo ou um iluminador no final do dia
- Um smoky monocromático (marrom, taupe) que pode ser intensificado com uma camada de pigmento em pó sem precisar desmaquilhar
- Lábios com lápis nude ou rosado, que podem ser cobertos à noite com um batom vibrante ou um gloss pigmentado
Essa lógica de “maquiagem evolutiva” pressupõe evitar produtos à prova d’água pela manhã. Um produto à prova d’água não se sobrepõe bem: ele repele as camadas seguintes. Um produto de longa duração clássico aceita melhor a adição de matéria no final do dia.
O acabamento “glass skin” visto nos desfiles funciona nesse modelo. A pele preparada com um sérum hidratante e uma base luminosa mantém uma aparência fresca que é realçada à noite com um iluminador focado na ponte do nariz e no arco do cupido, sem efeito de máscara.
Uma maquiagem bem construída pela manhã torna desnecessária a necessaire de retoque à noite. A escolha das texturas e a moderação nas quantidades são mais importantes do que o número de produtos utilizados. As tendências atuais, com suas fórmulas moduláveis e pigmentos sobreponíveis, facilitam essa abordagem, desde que se resista à tentação de exagerar desde o primeiro gesto.